Koder Vector Graphics Format (.kvg)

kvg specs/kvg/format.kmd

Universal open vector format for the Koder Stack: 2D, animation, and 3D in a single self-contained document. Layered profile model (Core → Motion → Solid) lets renderers declare conformance progressively. Self-hosted-first: no external CDN refs, no proprietary dependencies, fully editable in Koder Dok and rasterizable by kicon. This document is the v0.1 proposal — scope and primitives are open for redesign before ratification.

When this spec applies

All triggers

Specification body

KVG — Koder Vector Graphics Format

Version: 0.1 — Proposal Status: Pre-normative — open for redesign Editors: Rodrigo Mendonça (lead) Reference impl target: Koder Dok (rasterizer + editor) and kicon (rasterizer-only)


0. Why a new format

A typical Koder product today juggles three vector-adjacent formats:

Use case Today Pain
Static 2D icons, illustrations, logos SVG Pseudo-3D só. Sem semântica de objeto.
2D animated UI (splash, micro-interaction) Rive / Lottie Outro pipeline, outro editor, outro runtime
3D real (PBR, hero, viewer) glTF + Filament Não edita no Inkscape; pesado pra ícone

Mantemos três sources (.svg, .riv, .glb) com três pipelines de tooling para descrever a mesma família de objetos. KVG propõe um source único: uma cena que pode ser 2D, animada, 3D — ou as três simultaneamente — descritas no mesmo grafo. Renderizadores declaram qual profile suportam; quem só faz 2D ignora as camadas Motion e Solid sem quebrar.

Premissa Koder-específica: self-hosted-first. Nenhum .kvg pode depender de CDN externo, font remota, shader hospedado em terceiros. O documento é fechado, distribuído como bytes, executável offline.


0.4 Filosofia de desenvolvimento

KVG é spec de longa duração: arquivos .kvg escritos em 2026 devem renderizar em 2036. Isso impõe uma assimetria sobre como decisões são tomadas neste projeto:

  • Decisões de design fundamentais — profile boundaries, sintaxe, primitivas, sandbox da DSL, sistema de coordenadas, semântica de notações — são feitas uma vez para durar 10+ anos. Justificam investimento desproporcional em análise, alternativas comparadas contra diretrizes, e completude antes de congelar.

  • Decisões de implementação iterativa — qual renderer escrever primeiro, ordem de fases do roadmap, quais bugs prioritizar, qual algoritmo interno escolher, qual cache adotar — seguem ship discipline normal: pequenas, reversíveis, frequentes.

Relação com policies/hyperscale-first.kmd

A policy diz: "esforço desproporcional → ship simples + ticket de follow-up". No KVG, a barra de "desproporcional" para decisões de design da spec é mais alta que para tickets de produto — porque o custo de errar a spec é viver com migração de breaking change em todo arquivo .kvg em circulação.

Para decisões de implementação interna dentro do projeto KVG (renderer, parser, CLI, editor, kicon integration), aplicar hyperscale-first sem ajuste.

Implicação prática

Quando uma decisão de design v0.1 for ambígua entre "ship enxuto agora

  • adicionar v0.2" vs "incluir agora com mais investimento":
  • Se afeta forma do .kvg distribuído (sintaxe, primitivas, semântica observável, contrato de runtime) → escolher completude. Custo de migração é alto e atinge todos os autores.
  • Se afeta só implementação interna (qual algoritmo, qual cache, qual ordem de pipeline, qual linguagem do renderer) → ship enxuto
    • ticket. Custo de migração é zero — é detalhe de produto, não contrato de spec.

Esta filosofia justifica decisões como "todas as constraints em Motion v0.1" (Pergunta 5, decidida 2026-04-30) e "Coons patch em v0.1" (Pergunta 6) que sob hyperscale-first puro pareceriam over-investment.


0.5 Princípios e diretrizes

Estas dez diretrizes são o contrato de design do formato. Toda decisão posterior — sintaxe, primitivas, profile boundaries, runtime — pode ser justificada (ou contestada) contra esta lista.

  1. Limpo / simples visualmente. O source canônico em texto é confortável de ler sem ferramenta especial. Nada de marcação ruidosa em volta de geometria simples.
  2. Extensível via DSL embarcada (kgen). Documento pode declarar [[kdef]] (primitivas customizadas reutilizáveis) e [[kgen]] (geração procedural pontual) para domínios específicos — CAD, VFX, schematics, ou qualquer cenário onde as primitivas-base do KVG-Core não bastam. A DSL chama-se kgen, é purpose-built (não é subset de Koder Koda), e está especificada na §13. Ver §11 para o modelo de extensão.
  3. Prático. A coisa mínima que faz uma coisa útil cabe em poucas linhas. Casos comuns têm caminho curto.
  4. Objetos em todas as dimensões. 1D (curvas e sequências), 2D (vetorial clássico), 3D (sólido), 4D (3D no tempo), N-D (paramétrico, volume rendering, dados hiperdimensionais). Coordenadas usam vetor genérico — [x, y], [x, y, z], [x, y, z, t] — sem tag de tipo manual no caso comum.
  5. Estáticos ou dinâmicos. Mesmo formato cobre desde ícone congelado até cena animada com state machine. Profile Motion é opt-in.
  6. Cores em todas as notações. Qualquer primitiva aceita cor por sólido, gradient, mesh-gradient, textura ou shader. Sem casos onde "este tipo não suporta cor" só por limitação do formato.
  7. Aplicável de desenho simples a CAD/VFX/cinema. Ícone do Hub e cena de filme rodam no mesmo formato — não no mesmo profile, mas no mesmo formato. Profiles específicos (CAD-kit, VFX-kit) são montados como metaspecs reutilizáveis, não como dialetos separados.
  8. Escalável. Em duas dimensões: tamanho do documento (de 50 linhas até GB com streaming) e complexidade da cena (de 6 nós até milhões de triângulos com LOD, instancing, culling).
  9. Não verboso. Default agressivo: o que não foi declarado, herda do profile ou do parent. Nada de boilerplate por linha.
  10. Rápida leitura e rápida renderização. Source de texto parseia em O(n); binário .kvgb carrega em mmap-friendly layout; cenas grandes suportam streaming progressivo; primitivas mapeiam diretamente em chamadas GPU sem tradução pesada.

Tensões reconhecidas

Algumas diretrizes brigam — registramos para tratar conscientemente:

  • #1 simples ⚔ #7 todos cenários: cinema/CAD são intrinsecamente ricos. Resolução: complexidade vive em [[kdef]] reusáveis (#2), não em primitivas-base.
  • #9 não verboso ⚔ #4 todas dimensões: 5D paramétrico exige notação extra. Resolução: 2D/3D são otimizados no caso comum; N-D paga o preço só quando usado.
  • #10 rápida leitura ⚔ #7 cinema: cenas grandes obrigam streaming. Resolução: o binário aceita chunks lidos sob demanda; source texto é sempre carregado todo (assumido pequeno).
  • #1 simples ⚔ #2 extensão: blocos [[kdef]]/[[kgen]] inline tornam o source mais poderoso mas mais difícil de ler. Resolução: 95 % dos arquivos não definem extensão; os outros 5 % são feitos por autores avançados que aceitam o trade-off.
  • #2 extensão ⚔ self-hosted-first: imports externos quebram auto-suficiência. Resolução em §11: [[kdef]] mora dentro do mesmo arquivo que a usa; tooling (Dok) inlina ao inserir.

1. Goals

  1. Universal scene description: 2D, motion, 3D no mesmo grafo, com primitivas que se compõem em vez de competirem.
  2. Layered profiles: o mínimo viável é Core (2D estático). Motion e Solid são profiles aditivos, opt-in por documento e por renderer.
  3. Deterministic rendering: dado o mesmo .kvg e o mesmo profile, dois renderers conformes produzem o mesmo bitmap (dentro de tolerância de anti-aliasing definida).
  4. Self-contained: zero referências externas. Fonts, raster textures, meshes, scripts — tudo embarcado.
  5. Editable: o formato source é texto humano-legível, gerável por código e editável em Koder Dok com preview ao vivo.
  6. Object semantics: cada nó tem identidade e metadata estruturada que tooling (kicon, koder_kit, search) consulta — "todos os satélites do hub icon" é uma query, não uma heurística sobre bbox.
  7. Embeddable runtime: o renderer KVG-Core deve caber em < 200 KB compactado (alvo: WASM no Web, FFI lib no Flutter, biblioteca KL nativa).

2. Non-goals

  • Substituir CAD: STEP/OpenSCAD continuam para engenharia.
  • Substituir vídeo: KVG-Motion é animação vetorial, não codec.
  • Virar linguagem de programação: scripts inline são opcionais e sandboxed (Koder Koda restrito); a base é declarativa.
  • Compatibilidade exata com SVG/Rive/glTF: KVG é um formato novo. Os conversores fazem best-effort.
  • Substituir HTML / Flutter widgets: KVG descreve uma cena, não uma UI com layout responsivo, foco e acessibilidade WAI-ARIA.

3. Architecture — Profiles

KVG é especificada em três profiles aditivos. Cada documento declara o mínimo profile que requer; cada renderer declara o máximo profile que suporta. Documento abre num renderer ⇔ profile_doc ⊆ profile_renderer.

3.0 Declaração — aliases canônicos

Documentos declaram o profile no header com um destes aliases:

Alias Capacidades incluídas
Core 2D estático
Animated Core + Motion
Spatial Core + Solid
Full Core + Motion + Solid
profile Core      // ícone simples, splash estático
profile Animated  // logo animado, splash com motion
profile Spatial   // hero icon 3D estático
profile Full      // cena completa (3D animado)

A forma concat-explícita também é aceita pelo parser e equivale ao alias correspondente; kvg fmt normaliza para o alias canônico:

profile Core+Motion+Solid   // aceito; kvg fmt → "Full"
profile Core+Motion         // aceito; kvg fmt → "Animated"

Combinações inválidas (ex: Motion+Solid sem Core) são rejeitadas pelo validador — Core é sempre mandatório.

3.1 KVG-Core (mandatório)

Equivalente a SVG estático. Cobre:

  • Primitivas 2D: path, rect, ellipse, line, polyline, polygon, text (com fonts embarcadas).
  • Estilo: fill (sólido + gradient linear/radial/mesh), stroke, opacity, blend modes, clipping, masks.
  • Filters: blur, drop-shadow, color-matrix, displacement-map, lighting (feSpecularLighting equivalent — pseudo-3D barato).
  • Grupos hierárquicos com transforms 2D (matrix, translate, rotate, scale, skew).
  • Viewport e units (user space, viewBox como SVG).

Renderer KVG-Core é equivalente em capacidade a um renderer SVG bom. Footprint alvo: < 200 KB, 100 % offline.

3.2 KVG-Motion (opcional)

Adiciona ao Core:

  • Timeline: keyframes, easing curves (cubic-bezier nomeados + custom splines), loop/ping-pong/once.
  • State machine: estados nomeados, transições com triggers (input pointer, evento custom, fim de timeline), interpolação entre estados.
  • Constraints (todas em v0.1, decidido 2026-04-30):
    • look-at 2D/3D: nó rotaciona para apontar a um alvo (point ou outro nó). Solver: 5-10 LoC, determinístico.
    • follow-path: nó percorre uma path com parâmetro t ∈ [0, 1], com modos loop, ping-pong, once. Suporta amostragem por distância de arco para velocidade uniforme.
    • IK 2-bone: solver de cinemática inversa para cadeia de 2 ossos (braço/perna estilo). Suporta pole-target, joint limits, fallback suave em singularidade. Inspiração de API: Rive constraints (modelo bem desenhado e validado em produção).
  • Inputs: pointer (hover/press/drag), value bindings (data drivers).

Inspiração: Rive (state machine + constraints API), Lottie (timeline).

3.3 KVG-Solid (opcional)

Adiciona ao Core ou Core+Motion:

  • Mesh primitives: triangle mesh (índices + atributos), CSG primitives (sphere, cylinder, box, torus) parametricamente expandidos no carregamento.
  • Material PBR: metallic-roughness model (alinhado a glTF 2.0), normal maps, emissive, IBL.
  • Lighting: directional, point, spot, IBL environment cube ou equirect embarcado.
  • Camera: perspective/orthographic, field-of-view, clip planes.
  • 3D transforms: matrix4, quaternion rotation.
  • Per-vertex animation: skinning (joints+weights), morph targets.

Em modo Core+Solid sem Motion, geometria 3D é estática. Em Core+Motion+Solid, animação 3D usa skinning ou morph driven pelo state machine.

Compositional rule: 2D e 3D coexistem na mesma cena. Um nó 2D vive no plano z=0 do espaço 3D. Um nó 3D pode ser raster-bakeado em runtime para compor com 2D (drop-shadow do 3D no plano 2D, etc.).


4. File format

4.1 KSS — KVG Source Syntax

Sintaxe purpose-built para grafos de cena. Inspirada em KDL e CSS, otimizada para compactação visual e hierarquia nativa. Não é TOML/JSON/YAML/KDL emprestado — o KVG carrega sintaxe própria, na mesma filosofia de kgen e das notações KPN/KCN/KVN: peça purpose-built, controlada pela Koder.

Princípios da sintaxe

  • Hierarquia via { }: cada bloco abre escopo. Indent é cosmético.
  • Bare identifiers: tipos e nomes de atributos sem aspas (ellipse, cx, fill).
  • IDs com prefixo #: #core, #sat-top — estilo CSS.
  • Atributos posicionais + nomeados: tipos comuns aceitam ordem posicional para os primeiros valores; nomeados depois.
  • Notações embarcadas inline: KPN, KCN, KVN entram bare quando inequívocas, ou entre aspas como expressões.
  • Comentários com // (linha) ou /* */ (bloco). # é reservado para IDs.

Exemplo — ícone Koder Hub (núcleo + 1 satélite + 1 gradient)

kvg-version "0.1.0"
profile     Core
viewport    0 0 512 512
title       "Koder Hub icon"

meta {
  author  "rpm"
  created 2026-04-30
  license "CC-BY-4.0"
  units   px
}

asset font #inter {
  data "base64:AAEAAAAR..."
}

gradient #core-grad radial center=[0.35, 0.35] radius=0.7 {
  stop 0.00 "#BFDBFE"
  stop 0.35 "#3B82F6"
  stop 1.00 "#1E3A8A"
}

scene {
  ellipse #core role="hub.center" 256 256 r=48 fill=#core-grad
}

Estrutura de um node statement

TYPE [#ID] [POSITIONAL_ARGS] [NAMED_ATTRS] [BODY]
  • TYPE: bare identifier (ellipse, rect, path, gradient, kdef, kgen, scene, group, meta, asset, ...)
  • #ID: opcional; quando presente, vira identidade local do nó.
  • POSITIONAL_ARGS: zero ou mais valores anônimos. Cada tipo documenta a ordem aceita (ex: ellipse cx cy r, rect x y w h, stop offset color).
  • NAMED_ATTRS: pares chave=valor em qualquer ordem.
  • BODY: bloco { ... } com mais statements aninhados. Opcional para nós-folha.

Tipos de valor reconhecidos

Forma Tipo Exemplo
Inteiro int 256, -7
Decimal float 3.14, 0.667, 1e-5
Booleano bool true, false
Bare identifier ident Core, radial, ellipse
ID/ref id-ref #core, #blue-sphere
String quotada string "texto com espaços"
Vec (KVN) vec [256, 256], [0.35, 0.35, 0]
Hex color (KCN, em fill/stroke/color/stop) color "#3B82F6", "#3B82F6CC"
Multi-line string block-string """...kgen body...."""

Gramática EBNF resumida

file        = (statement)*
statement   = node-stmt | comment
node-stmt   = type id? value* attr* body? NEWLINE
type        = IDENT
id          = '#' IDENT
attr        = IDENT '=' value
value       = number | bool | ident | id-ref | string | vec | block-string
vec         = '[' value (',' value)* ']'
block-string = '"""' .* '"""'
body        = '{' statement* '}'
comment     = '//' .* NEWLINE | '/*' .* '*/'

Convenções de leitura

  • Multi-line agressivo é OK: cenas longas devem usar uma declaração por linha. Compactação inline com separador ; é permitida (várias declarações na mesma linha) mas desencorajada para fontes versionadas em git (diffs piores).
  • Indent é livre: 2 espaços é convenção; o parser ignora.
  • Trailing comma em vecs e listas é permitida e ignorada.

Self-host parser

Implementação de referência: ~700 LoC em Koder Koda, distribuída em engines/lang/kvg/parser. Reescrita em Dart (para Flutter) e em Go (para ferramenta CLI) seguem a mesma EBNF — sem dependência de parser externo.

4.2 Binary serialization — .kvgb

Equivalente ao .glb do glTF: CBOR-encoded scene graph + concatenated binary buffers. Usado em runtime para parse rápido, distribuído quando tamanho importa. Conversão kvg ↔ kvgb é round-trip lossless.

4.3 Container variant — .kvg.zip (opcional)

Para projetos com muitos assets pesados (vários .glb mesh, raster textures de alta resolução, audio bindings de motion), KVG aceita empacotamento como ZIP com manifest.kvg na raiz. Apenas conveniência — semanticamente idêntico a um .kvg com tudo embarcado.

4.4 Versionamento

Documento declara versão da spec no header com semver:

kvg-version "0.1.0"
profile     Full

Regras de versionamento (decidido 2026-04-30):

  • Header obrigatório. Validador erra se ausente.
  • Major (1.0 → 2.0) = breaking change permitido. Ferramenta obrigatória kvg upgrade migra arquivos do major anterior.
  • Minor (0.1 → 0.2) = aditivo apenas. Documento v0.1 renderiza inalterado em renderer v0.2. Renderer v0.1 ignora features novas silenciosamente quando declaradas via requires.
  • Patch (0.1.0 → 0.1.1) = clarificação de spec, zero mudança de capacidade observável.

Imutabilidade do legado: nenhuma primitiva presente em v0.1 desaparece em minor ou patch. Major bump pode remover, sempre com migração ferramenta-assistida.

Capability strings por nó (opcional, ortogonal à versão):

group #character requires=["ik-2bone"] {
  // árvore que precisa do constraint IK
  fallback {
    // árvore alternativa se renderer não tem ik-2bone
  }
}

Permite graceful degradation dentro de um mesmo profile/versão. Um renderer KVG-Motion pode ter shipado look-at mas não ik-2bone ainda; o campo requires permite ao autor declarar dependência e fornecer fallback. A lista de capability strings é parte da spec da versão e cresce monotonicamente.

Renderer declara compat:

renderer.kvg = {
  version-max: "0.2.0",
  capabilities: ["Core", "Motion", "look-at", "follow-path",
                 "ik-2bone", "mesh-coons", ...]
}

Validação: documento abre se doc.kvg-version ≤ renderer.version-max E todos os requires declarados em nós estão presentes em renderer.capabilities (ou os nós têm fallback).


5. Coordinate system

Decisão 2026-04-30: Y-up everywhere (Cartesiano padrão). Razão: convenção matemática universal ensinada em escola desde Descartes (1637); alinha com 3D inteiro (glTF, Blender, Maya, Unity, USD, OpenGL); alinha com CAD/engenharia/plots científicos. Y-down do SVG/Canvas é artefato histórico de raster scan de CRT — não convenção humana. Importadores de SVG aplicam flip uma vez no kvg convert.

  • Sistema canônico: right-handed Cartesiano, Y-up, X-right, Z-out (saindo da tela em direção ao observador).
  • Origem: por default no canto inferior-esquerdo da viewport. Documento pode declarar origin center no header para colocar (0,0) no centro — útil para ícones simétricos.
  • Plano 2D = z=0: nós 2D vivem no plano XY com z=0 e normal +Z.
  • Viewport declara um retângulo no plano 2D: viewport x y w h, onde (x, y) é o canto inferior-esquerdo.
  • Units: padrão px; aceita mm, pt, em, vw/vh resolvidos no contexto do consumer.
  • Migração SVG: o importer aplica transform="scale(1, -1) translate(0, -H)" no nó raiz para inverter Y e ancorar a origem. Autor não precisa pensar nisso — kvg convert foo.svg resolve.
  • Migração glTF: importação direta sem flip (mesma convenção).

6. Object model

Cada [[node]] tem:

Campo Tipo Obrigatório Descrição
id string sim Identidade local; única no documento
role string (dotted) não Semântica para tooling. Ex: hub.satellite.square
type enum sim group, path, rect, ellipse, text, mesh, ...
parent id não Default: root
transform matrix/keyed não 2D ou 3D conforme profile
tags string[] não Para queries amplas (ex: ["interactive"])
data.* livre não Metadata arbitrária para consumers

Queryability: a runtime expõe scene.query("role:hub.satellite.*") → todos os 6 nós satélite. Substitui o problema atual do kicon que precisa heurística de bbox para entender o que é "objeto" no SVG.

6.1 Acessibilidade

Toda cena KVG deve ser consumível por leitor de tela e outras tecnologias assistivas. Cinco campos a11y.* cobrem o leque relevante para conteúdo gráfico (decidido 2026-04-30):

Campo Tipo Obrigatório Descrição
a11y.label string sim no nó-raiz da scene Nome curto que o leitor anuncia
a11y.role enum não (default img) img, figure, diagram, decoration, presentation
a11y.description string não Descrição longa; serializada em aria-describedby na renderização web
a11y.decoration bool não (default false) Atalho para role="decoration"; leitor pula o nó
a11y.labelledby id-ref não Aponta pra outro nó (geralmente text) cujo conteúdo serve como label, evitando duplicação

Regras de exposição:

  1. Nó-raiz da scene deve ter a11y.label. Validador erra se ausente.
  2. Sub-nós com a11y.label próprio viram sub-elementos navegáveis — tecnologia assistiva trata o conjunto como árvore, à semelhança de <figure> aninhado em HTML.
  3. Sub-nós sem a11y.label são opacos para AT (parte da composição visual, não da estrutura semântica).
  4. a11y.decoration=true salta o nó inteiramente — válido para ornamentos puramente visuais.
  5. a11y.labelledby="#some-text-node" resolve em runtime: o leitor lê o conteúdo de texto daquele nó como label.

Diferido para v0.2+: a11y.live (anúncio de mudanças em Motion) e a11y.flowto (ordem custom de leitura em diagramas editoriais). Adicionados quando demanda concreta aparecer.

Exemplo:

scene {
  group #hub-icon a11y.label="Koder Hub icon" a11y.role="img" {

    ellipse #core 256 256 r=48
    rect    #sat-top 232 107 48 48 a11y.decoration=true

    group #annotation a11y.label="6 connected satellites" a11y.role="figure" {
      // ... sub-árvore navegável
    }
  }
}

7. Notações embarcadas

Dentro do KVG, três sub-formatos são notações simbólicas — pequenas linguagens de strings interpretadas por sub-parsers próprios. Não são estrutura TOML; são strings com gramática própria embutidas em campos. Renderer KVG-Core conforme deve entender as três.

7.1 KPN — KVG Path Notation

Notação compacta para descrever curvas e contornos. Inspirada em SVG path data: cada comando é uma letra, seguida de números separados por espaço ou vírgula. Maiúscula = absoluto, minúscula = relativo.

Comando Args Significado
M / m x y Move (caneta sobe, vai para o ponto)
L / l x y Line (linha reta até o ponto)
H / h x Horizontal line
V / v y Vertical line
C / c x1 y1 x2 y2 x y Cubic Bézier (dois controles + endpoint)
Q / q x1 y1 x y Quadratic Bézier (um controle + endpoint)
A / a rx ry rot large sweep x y Elliptical arc
T / t x y Smooth quadratic continuation
S / s x2 y2 x y Smooth cubic continuation
Z / z Close path (volta para o último M)
[[node]]
id   = "leaf"
type = "path"
d    = "M 100 100 C 130 50 170 50 200 100 Q 200 150 150 180 Z"

KPN aceita extensão para 3D em KVG-Solid (comandos M3, L3, C3 com três coordenadas), e para N-D paramétrico (sufixo N mais um vetor).

7.2 KCN — KVG Color Notation

Herda do CSS Color Module Level 4 — qualquer renderer KVG aceita as notações abaixo. Um campo fill, stroke, color ou stop-color pode receber qualquer forma:

Forma Exemplo
Hex curto #3B8
Hex longo #3B82F6
Hex com alpha #3B82F6CC
RGB rgb(59, 130, 246)
RGBA rgb(59, 130, 246, 0.8)
HSL hsl(217, 91%, 60%)
OKLCH oklch(60% 0.18 250) (recomendado para perceptual)
Named transparent, currentColor
Gradient ref gradient(id) (aponta para [gradient.id] declarado)

Recomendação na §0.5 diretriz #6: produtos Koder devem usar OKLCH para máxima consistência perceptual entre dispositivos.

7.3 KVN — KVG Coordinate Notation

Notação vetorial unificada para 1D a N-D. Vetor é uma lista TOML; a dimensionalidade é inferida pelo número de componentes:

Forma Significado
[x, y] 2D — plano padrão
[x, y, z] 3D — espaço cartesiano
[x, y, z, w] 4D — homogêneo (projetivo) ou 3D + tempo
[x, y, z, t, p] N-D — paramétrico (e.g., volume rendering)

Operadores e funções da kgen (§13) trabalham polimorficamente sobre KVN — length([3,4]) → 5; length([1,2,2]) → 3; lerp(a,b,t) opera componente a componente.

7.4 Por que notações ao invés de TOML estruturado?

Notações são mais densas, mais legíveis para olho treinado e mais performáticas para parse + render. Compare:

# Notação compacta
d = "M 0 0 L 100 0 L 100 100 Z"

# Forma estruturada equivalente (rejeitada)
[[d.cmd]]
op = "moveTo"
to = [0, 0]
[[d.cmd]]
op = "lineTo"
to = [100, 0]
[[d.cmd]]
op = "lineTo"
to = [100, 100]
[[d.cmd]]
op = "close"

Para 50 comandos numa path, a forma estruturada custa ~10× mais bytes e é mais lenta de parsear. A notação ganha em todos os quesitos — desde que seja simples o suficiente pra autor ler na mão.


8. Color & material

8.1 2D (Core)

  • Cor: #RRGGBB, #RRGGBBAA, rgb(), oklch() (recomendado para perceptual consistency entre dispositivos).
  • Fill: sólido, linear-gradient, radial-gradient, mesh-gradient Coons-patch (decidido 2026-04-30; ver §8.1.1).
  • Stroke: width, cap, join, miter, dasharray.
  • Filter graph: nós conectáveis (blur → color-matrix → composite), idêntico ao modelo SVG <filter> mas com tipos checados.
  • Blend modes: lista CSS Compositing & Blending Level 1.

8.1.1 Mesh gradient (Coons patch)

Mesh gradients permitem transições de cor em 2D ao longo de uma área 4-corner com lados curvos. Modelo: Coons patch — define cores nos 4 cantos + curvas Bézier nos 4 lados. Bilinear (lados retos) é caso particular sem custo extra de sintaxe.

gradient #fruit-skin mesh {
  // 4 cantos em ordem TL → TR → BR → BL (Y-up, então TL = top-left = [0,1])
  corner [0, 1] color="#FFE5B0"
  corner [1, 1] color="#FFA640"
  corner [1, 0] color="#D04020"
  corner [0, 0] color="#700"

  // 4 lados — cada um straight ou bezier (até 2 controles)
  edge top    bezier=[[0.3, 1.1], [0.7, 1.1]]
  edge right  bezier=[[1.1, 0.7], [1.1, 0.3]]
  edge bottom straight
  edge left   straight
}

Todos os 4 lados straight ⇒ degenera em bilinear sem boilerplate extra. Coordenadas dos cantos no espaço normalizado [0, 1].

Razão da escolha (2026-04-30): bilinear puro é meio-caminho que envelhece mal em ilustração premium e packaging design (diretrizes 6 e 7); Coons cobre ambos os casos com um único modelo. Custo de impl ~150 LoC amortizado para sempre.

8.2 3D (Solid)

  • PBR metallic-roughness (gltf 2.0 model):
    • baseColor, metallic, roughness, normal, emissive, occlusion.
  • Texturas: raster embarcado (PNG/WebP) ou procedural (gradient como texture).
  • Lighting: directional, point, spot, IBL (cube ou equirect HDR embarcado, comprimido com Koder kodec-img).

8.3 Shader graph (extensão futura)

Profile KVG-Shade (não-v0.1, deixado para v0.2+): grafo declarativo de shader unificando filter graph 2D e PBR 3D. Excluído do escopo desta proposta para limitar v0.1.


9. Animation & Motion

9.1 Timeline

[[timeline]]
id       = "intro"
duration = 1.2  # seconds
loop     = "once"

[[timeline.track]]
target   = "core"          # node id
property = "transform.scale"
keyframes = [
  { t = 0.0, value = 0.0,  easing = "ease-out-cubic" },
  { t = 0.6, value = 1.05, easing = "ease-in-out" },
  { t = 1.0, value = 1.0 },
]

9.2 State machine

[[state-machine]]
id      = "idle-hover-press"
default = "idle"

[[state-machine.state]]
name = "idle"
[[state-machine.state]]
name = "hover"
[[state-machine.state]]
name = "press"

[[state-machine.transition]]
from    = "idle"
to      = "hover"
trigger = "pointer.over"
duration = 0.15
easing  = "ease-out"

[[state-machine.transition]]
from    = "hover"
to      = "press"
trigger = "pointer.down"
duration = 0.08

State change interpola valores de propriedades animáveis declaradas em cada estado.

9.3 Constraints

IK 2-bone, follow-path, look-at 2D. Lista exaustiva fica para v0.2+.


10. 3D solids

Estrutura mínima para Solid:

[[node]]
id       = "hero-glb"
type     = "mesh"
mesh     = "hub-mesh-01"
material = "hub-material-01"

[[asset.mesh]]
id          = "hub-mesh-01"
primitives  = [
  { mode = "triangles", indices = "buf:0", positions = "buf:1", normals = "buf:2", uvs = "buf:3" }
]

[[asset.material]]
id           = "hub-material-01"
type         = "pbr-mr"
baseColor    = "#3B82F6"
metallic     = 0.3
roughness    = 0.4
normalTexture = "tex:hub-normal"

[[asset.buffer]]
id   = "buf:0"
data = "base64:..."

Importação direta de .glb é suportada via converter kvg import gltf, que aterriza meshes/materials/animations como [[asset.*]] blocks.


11. Extensão: kdef e kgen

KVG suporta dois mecanismos de extensão no source. Ambos vivem no próprio arquivo que os consome — nunca em arquivos separados, nunca buscados por URL. Auto-suficiência do documento é regra dura (§12).

Ambos os mecanismos rodam código escrito na DSL kgen, especificada em §13. Não há campo lang — só existe uma DSL.

11.1 kdef — primitivas customizadas reutilizáveis

kdef define um tipo novo de nó como uma expansão para primitivas-base ou para outras kdefs já definidas no mesmo arquivo:

kdef #spring extends=path params=[start, end, coils, amplitude] {
  expand """
    let pts = [start]
    let segments = coils * 2
    for i in range(segments)
      let t = (i + 1) / segments
      let mid = lerp(start, end, t)
      let off = if i % 2 == 0 then amplitude else -amplitude
      pts.push([mid.x, mid.y + off])
    end
    pts.push(end)
    pts
  """
}

scene {
  spring #shock-absorber start=[50,100] end=[200,100] coils=8 amplitude=12
}

Pipeline do parser:

  1. Pass 1: coleta todas as declarações kdef do documento. Ordem de aparição não importa.
  2. Pass 2: ao encontrar um nó cujo TYPE casa com um id de kdef (spring, no exemplo), busca primeiro as kdefs locais; se não achar, cai nas primitivas-base; se não achar, erro KVG-PARSE-UNKNOWN-TYPE-NNNN.
  3. Expand: roda o bloco expand no sandbox kgen; o resultado vira nó da primitiva apontada por extends.
  4. Render: renderer só vê primitivas-base — nunca soube que spring existe.

11.2 kgen — geração procedural pontual

Para repetições e parametrizações que não merecem virar tipo nomeado:

kgen #build-satellites {
  body """
    let r = 125
    for i in range(6)
      let angle = (90 - i * 60) * PI / 180
      emit_node(
        id: "sat-" + i.to_s,
        role: "hub.satellite",
        type: shape_for(i),
        cx: 256 + r * cos(angle),
        cy: 256 - r * sin(angle)
      )
    end
  """
}

kgen roda no load-time, no mesmo sandbox que o expand de kdef. A diferença: kgen emite nós direto, sem virar tipo reutilizável.

11.3 Regras duras (validador rejeita)

  1. Escopo local ao documento. kdef definida em A não é visível em B. Cada .kvg é mundo fechado.
  2. Sem rebinding de primitivas-base. [[kdef]] id = "ellipse" é erro. Só extensão, nunca substituição.
  3. Sem ciclos no grafo de dependência. Se kdef A usa B e B usa A, validador detecta e falha.
  4. Sandbox kgen — sem I/O, sem rede, sem syscall. O bloco expand da [[kdef]] e o body da [[kgen]] só podem usar a stdlib kgen (§13) e os helpers emit_* providos pelo runtime.
  5. Determinismo. Dado o mesmo input, expansão produz o mesmo output bit-a-bit. Sem random sem seed, sem timestamp, sem leitura externa.

11.4 Distribuição

O .kvgb binário inlina o resultado das expansões para parse mais rápido em runtime. O source .kvg texto preserva os blocos [[kdef]] e [[kgen]] para edição. Conversão kvg ↔ kvgb é round-trip do source completo (incluindo extensões), não só do output expandido — o autor nunca perde sua extensão ao ir e voltar.

11.5 Biblioteca de kdefs (camada de tooling, não de formato)

O Koder Dok mantém um catálogo de kdefs comuns (spring, gear, bezier-arrow, dimension-callout, gauss-bell, ...). Quando o autor "insere" uma do catálogo, o Dok copia a definição para dentro do arquivo aberto. O autor experimenta autocomplete e snippets; o arquivo salvo permanece auto-suficiente. Igual ao padrão de snippets do VSCode.

A biblioteca não é parte da especificação do formato — é conveniência da ferramenta. Outras ferramentas KVG podem implementar suas próprias bibliotecas, ou nenhuma. O .kvg resultante funciona em qualquer renderer compliant.


12. Self-hosted-first constraints

Regras duras (decidido 2026-04-30 — strict em v0.1, sem exceções):

  1. Zero URL externa em nenhum campo do documento. Validador rejeita http://, https://, //cdn.x.y/, file://, koder://, e qualquer outro scheme — apenas referências internas (#id) são válidas.
  2. Fonts embarcadas como asset font em base64 (TTF/OTF/WOFF2).
  3. Texturas raster embarcadas como asset texture em base64 (PNG, WebP, AVIF). Recomenda-se passar pela compressão do kodec-img antes de embed.
  4. Scripts são kgen inline ou referência por id a outro kgen interno. Sem import ou require de qualquer fonte externa.
  5. Profile dependencies (Motion, Solid) são parte da especificação carregada pelo runtime — nunca buscadas em runtime.

kvg validate <file> falha o documento se alguma regra acima for violada.

Razão (2026-04-30)

A flexibilização foi avaliada e rejeitada para v0.1. Opções consideradas:

  • koder:// URI scheme com cache local — fragmenta determinismo, doc deixa de ser auto-suficiente.
  • Refs content-addressable por hash (IPFS-style) — interessante mas complexidade desproporcional pra v0.1.
  • Header opt-in (chave external-refs allow) — fragmenta em dois mundos KVG.

Para casos pesados (texturas 4K, brand kit compartilhado), o pacote .kvg.zip (§4.3) já cobre — embarca binários num zip de conveniência sem violar self-hosted-first.

Sob filosofia §0.4 (long-term): é mais fácil flexibilizar v0.2 se demanda concreta aparecer do que retirar permissão depois. Strict primeiro é a aposta segura. Caminho preferencial para v0.2+ se for o caso: hash content-addressable (preserva determinismo, agnóstico de transporte).


13. kgen — language reference v0.1

A DSL embarcada usada pelos blocos [[kdef]] e [[kgen]]. Frozen em v0.1; mudanças futuras viram v0.2 com profile opt-in. Esta seção é a spec completa — implementadores não precisam de mais nada.

13.1 Filosofia

kgen é purpose-built, não é subset de Koder Koda. Sintaxe-família de KL (mesmas keywords) mas semântica própria. Alvo de implementação: ~500 LoC parser, ~1.000 LoC interpreter tree-walking, total ~50-100 KB compilado por renderer.

13.2 Tipos primitivos

Tipo Exemplo Notas
int 42, -7 64 bits sinalizado
float 3.14, 1e-5 IEEE 754 double
bool true, false
string "abc", 'abc' UTF-8; sem regex, sem format
vec [1, 2, 3] 1D-Nd; KVN compatível
mat mat([[1,0],[0,1]]) matriz NxM
list [1, "a", true] heterogênea
hash {a: 1, b: 2} string→valor
range range(0, 10) iterador finito
null null ausência

13.3 Operadores

aritméticos:   + - * / % **
comparação:    == != < > <= >=
lógicos:       && || !
acesso:        . [ ]

Todos componentwise sobre vec e mat ([1,2] + [3,4][4,6]).

13.4 Controle de fluxo

let x = 10
if x > 5 then
  ...
else
  ...
end

for i in range(0, 6)
  ...
end

each item in lista
  ...
end

Não tem: while, loop, goto, break, continue, recursão, closures, exceptions. Loops são bounded por construção (range ou each).

13.5 Funções declaradas

fn distance(a, b)
  let d = b - a
  return sqrt(d.x * d.x + d.y * d.y)
end

Funções são puras, top-level, sem closures. Podem chamar outras funções declaradas no mesmo bloco. Recursão proibida — validador detecta e falha. Para repetição, usar for ou each.

13.6 Builtins (~30, congelados em v0.1)

Matemática escalar: abs floor ceil round trunc sqrt pow exp log min max clamp sign

Trigonométricas: sin cos tan asin acos atan atan2

Vetoriais: vec length normalize dot cross dist angle_between

Matriciais: mat identity transpose inverse multiply translate rotate scale

Interpolação: lerp smoothstep mix step

Conversão / string: to_s to_i to_f concat

Constantes: PI E TAU INF NAN

13.7 Helpers de runtime (injetados pelo KVG)

Apenas dentro de [[kgen]] body ou [[kdef]] expand:

Helper Retorno O que faz
emit_node({...}) cria um [[node]] na cena
emit_path(d, opts) cria nó path com KPN
emit_connector(from, to, opts) linha entre dois pontos
param(name) valor acessa [[kdef]].params[name]
viewport() [w, h] ou [w,h,d] dimensões da viewport

13.8 Sandbox — proibições

  1. Sem I/O. Nenhuma função abre/lê arquivo, socket, dispositivo.
  2. Sem rede. Nenhuma chamada HTTP, DNS, etc.
  3. Sem syscalls. Sem exec, fork, signal, time.now.
  4. Sem fontes não-determinísticas. random exige seed explícito; time não existe; ordem de iteração de hash é estável.
  5. Sem dynamic code. Sem eval, parse, import, require.
  6. Sem mutação global. Variáveis declaradas com let são locais ao bloco; sem globals.
  7. Bounded execution. Loop limit configurável (default: 1.000.000 iterações totais por bloco); estouro = erro KGEN-LIMIT-EXCEEDED.

13.9 Determinismo

Implementação compliant deve garantir bit-exact reprodução entre renderers para o mesmo input. Especificamente:

  • Aritmética float segue IEEE 754, ordem de operações canônica (esquerda→direita, respeitando precedência).
  • for i in range(...) itera em ordem crescente.
  • each sobre hash itera em ordem de inserção.
  • random(seed) usa xorshift64 com algoritmo specificado em §13.11.

13.10 Gramática EBNF (resumida)

program     = (statement | function-decl)*
statement   = let-stmt | if-stmt | for-stmt | each-stmt | expr-stmt | return-stmt
let-stmt    = 'let' IDENT '=' expression
if-stmt     = 'if' expression 'then' statement* ('else' statement*)? 'end'
for-stmt    = 'for' IDENT 'in' expression statement* 'end'
each-stmt   = 'each' IDENT 'in' expression statement* 'end'
function-decl = 'fn' IDENT '(' params ')' statement* 'end'
expression  = literal | IDENT | unary | binary | call | access
binary      = expression op expression
op          = '+' | '-' | '*' | '/' | '%' | '**' | '==' | '!=' | '<' | '>' | '<=' | '>=' | '&&' | '||'
literal     = INT | FLOAT | STRING | BOOL | NULL | vec-lit | hash-lit
vec-lit     = '[' (expression (',' expression)*)? ']'

13.11 Implementação de referência

A spec do parser, interpretador, e algoritmos de determinismo (xorshift seed, ordem de hash, IEEE 754 rounding) vivem em engines/lang/kvg/kgen/SPEC.kmd (a criar quando começar implementação). Esta §13 é o contrato; aquela é o blueprint de código.


14. Profile conformance

Documento declara profile Full (alias canônico — equivale a Core+Motion+Solid). Renderer declara capabilities como conjunto, ex: ["Core", "Motion"] (= Animated). Algoritmo:

if profile_doc ⊆ profile_renderer:
    render normally
else:
    render best-effort (drop unsupported nodes)
    emit conformance warning to host

Nó individual pode declarar requires = "Solid"; se renderer não tem, nó é silenciosamente substituído pelo seu fallback opcional (um nó 2D estático equivalente). Mecanismo análogo ao <switch> do SVG.


15. Reference toolchain

Componente Papel Status v0.1
engines/lang/kvg/spec Esta spec, schemas JSON/CBOR Esta proposta
engines/lang/kvg/parser Lib Koder Koda: parse .kvg → scene tree A implementar
engines/lang/kvg/render Renderer KVG-Core (Skia backend Linux/Android, CoreGraphics iOS/macOS, Canvas2D web) A implementar
engines/lang/kvg/render-3d Renderer KVG-Solid (Filament-based) A implementar
engines/sdk/kvg-flutter Flutter widget <KvgScene> A implementar
products/horizontal/dok Editor canônico, preview ao vivo, export para SVG/PNG/glTF Integração a planejar
products/dev/kicon Consome .kvg como source preferencial; gera variants per-platform usando role semantics Integração a planejar
kvg CLI kvg validate / convert / build / explode A implementar

16. Migration paths

De Para KVG Estratégia
SVG KVG-Core kvg convert <file>.svg mapeia 1:1 (path, gradient, filter); roles inferidos por classes/ids; viewport + transform mantidos
Rive KVG-Core+Motion parser do .riv (open spec) extrai timeline + state machine; primitivas vetoriais convertem para KVG paths
Lottie KVG-Core+Motion parser JSON; expressões After Effects (subconjunto) convertem para easing curves nomeadas
glTF KVG-Core+Solid mesh/material/animation 1:1; cenas multi-mesh viram grupos KVG
PNG/WebP raster KVG-Core wrapper embed como [[asset.texture]] num único nó image — fallback para quem só tem raster

Round-trip não é garantido em geral (ex: KVG → SVG perde Motion); apenas SVG → KVG e KVG-Core → SVG são lossless por design.


17. Open questions (a resolver antes de v0.2)

  1. Source syntax (decidido 2026-04-30): KSS — KVG Source Syntax purpose-built, KDL-inspired, com hierarquia nativa via { }, identificadores bare, IDs #prefixados (CSS-style), atributos posicionais + nomeados, notações inline (KPN/KCN/KVN), comentários // e /* */. Spec da gramática em §4.1. Razão: TOML emprestado força hierarquia flat-com-parent-ref (diretriz #1 e #2 sofrem) e [[node]] repetitivo (diretriz #9 sofre). KSS coerente com a filosofia purpose-built do resto da stack (kgen, KPN/KCN/KVN).
  2. Profile name (decidido 2026-04-30): aliases canônicos Core / Animated / Spatial / Full no header; forma concat-explícita (Core+Motion+Solid) também aceita pelo parser e normalizada para alias canônico pelo kvg fmt. Declaração e mapeamento em §3.0. Razão: diretrizes #1 (limpo) e #9 (não verboso) ganham com aliases; kvg-N numérico foi rejeitado porque profiles não são cumulativos linearmente (não há número natural para Core+Solid sem Motion).
  3. Mesh-gradient encoding (decidido 2026-04-30): Coons patch em v0.1. Bilinear (lados retos) é caso particular sem boilerplate extra. Razão: diretrizes #6 (cores em todas notações) e #7 (CAD a cinema) só ficam ★★★★★ com Coons; bilinear envelhece mal em ilustração premium. API e exemplo em §8.1.1.
  4. Acessibilidade (decidido 2026-04-30): cinco campos a11y.* por nó (label, role, description, decoration, labelledby). Spec em §6.1. Razão: cobre 100 % dos casos relevantes para conteúdo gráfico sem invadir o leque de WAI-ARIA específico de widgets interativos. a11y.live e a11y.flowto diferidos para v0.2+ — só fazem sentido com Motion shipado e demanda concreta de diagramas editoriais.
  5. Streaming / progressive load: assets pesados podem ser carregados sob demanda? (Conflita com self-hosted-first se requer rede; aceitável se tudo está num .kvg.zip lido stream do disco.)
  6. Versionamento (decidido 2026-04-30): semver no header (kvg-version "0.1.0" obrigatório) + capability strings opcionais por nó (requires=[...] com fallback). Imutabilidade do legado: nenhuma primitiva removida em minor/patch; major bump exige ferramenta kvg upgrade. Detalhes em §4.4.

18. Roadmap (decidido 2026-04-30)

Pacing: spec + Core impl em paralelo (co-evolução, modelo A2). Filosofia §0.4 não exige serial puro — exige cuidado de design; co-evolução com loops curtos satisfaz e revela ambiguidades cedo.

Companhia da spec: híbrido (B3) — source em meta/docs/stack/specs/kvg/format.kmd (single source of truth); projeção HTML pública em kvg.koder.dev (renderizada via kmd render --standalone ao build).

Fase Escopo Estimativa
Spec v0.1 freeze Este documento marcado como tag kvg/spec/v0.1.0. done
Core impl em paralelo Parser KSS + renderer Skia/Canvas + CLI kvg validate / convert / build, em engines/lang/kvg/. Loops curtos com a spec — refinos viram patch v0.1.1. 4-6 semanas
Revisão externa 1-2 autores externos (industry contacts) + devs Koder revisam spec após primeiras 2 semanas de impl. Ajustes ⇒ patch v0.1.1. +1 semana
Dok integration Editor live preview + export para SVG/PNG/glTF. +3 semanas
Subir kvg.koder.dev Site público com spec rendered + playground + Hub icon vivo + link pro repo. 2 semanas em paralelo
Motion impl Timeline + state machine + 3 constraints (look-at, follow-path, IK 2-bone). Migrar splash de 1 produto piloto. 6-8 semanas
Solid impl Filament backend + Coons mesh-gradient renderer. Migrar hero icon piloto para 3D. 8-10 semanas
kicon integration kicon lê .kvg como source preferred; usa role semantics para layout per-platform. Resolve o problema que originou esta proposta (safe-zone rendering automático). +2 semanas

Total para state-of-the-art utilizável em produção: ~5-6 meses com 1-2 engenheiros dedicados.


19. Decision needed from the user

Antes de avançar para implementação, esta proposta v0.1 precisa de direção em:

  • Profile boundaries — Core/Motion/Solid é o slice certo, ou mover algo (constraints? text-on-path?) entre profiles? → Decidido (2026-04-30): Profiles aditivos Core/Motion/Solid conforme §3. Razão: única opção compatível com diretriz #10 (Core renderer < 200 KB factível) e #9 (não verboso — paga só o que usa). Refinamento permitido: nós individuais podem declarar requires + fallback para graceful degradation dentro do profile (mecanismo já em §14).
  • Source syntax — TOML-superset, ou outra escolha? → Decidido (2026-04-30): KSS — KVG Source Syntax purpose-built, KDL-inspired, descrita em §4.1. Coerente com a filosofia purpose-built do resto da stack (kgen, KPN/KCN/KVN).
  • Sistema de coordenadas — Y-up (matemático, glTF) ou Y-down (SVG, Canvas)? → Decidido (2026-04-30): Y-up everywhere (Cartesiano padrão). Razão: convenção matemática ensinada em escola universalmente; alinha com 3D inteiro (glTF, Blender, Maya, Unity, USD, OpenGL); alinha com CAD/engenharia/plots científicos. Y-down do SVG é artefato histórico de raster scan de CRT, não convenção humana. Importadores de SVG aplicam flip uma vez no kvg convert. Detalhes na §5.
  • Constraints scope no profile Motion — IK / follow-path / look-at todos em v0.1 ou diferir parte? → Decidido (2026-04-30): todas as três em v0.1. Razão: constraints são primitivas universais em ferramentas vetoriais maduras (Rive, Lottie, AE, Maya, Blender); API design já bem-trodden; performance nativa ordens de magnitude > emulação kgen; autores não querem reimplementar matemática vetorial. Detalhes em §3.2.
  • Self-hosted-first regras — alguma flexibilização aceitável (ex: permitir koder:// URI scheme para resolução offline em cache local)? → Decidido (2026-04-30): zero flexibilização em v0.1. Self-hosted é diretriz dura; abrir exceção convida outras. Para casos pesados, .kvg.zip (§4.3) já cobre. Caminho preferencial v0.2+ se demanda aparecer: hash content-addressable. Detalhes em §12.
  • Roadmap pacing — começamos pelo Core impl + Dok preview, ou ratificamos a spec primeiro com revisão externa? → Decidido (2026-04-30): modelo A2 — spec v0.1 freeze + Core impl em paralelo. Revisão externa após 2-3 semanas de impl, refinos viram patch v0.1.1. Filosofia §0.4 não exige serial puro — exige cuidado de design; co-evolução com loops curtos revela ambiguidades. Detalhes em §18.
  • Companhia da spec — abrir um repo público meta/docs/stack/specs/kvg/ (este path) ou domínio próprio kvg.koder.dev desde o dia 1? → Decidido (2026-04-30): modelo B3 — híbrido. Source em meta/docs/stack/specs/kvg/format.kmd (single source of truth); projeção HTML pública em kvg.koder.dev rendered via kmd render --standalone ao build. Self-hosted-first identity preservada + presença pública estratégica para "padrão aberto". Detalhes em §18.

Todas as 10 perguntas críticas de v0.1 estão decididas. Próximo passo: freeze v0.1 da spec + começar Core impl em engines/lang/kvg/.


Apêndice A — Exemplo completo: ícone Koder Hub em KVG-Core

kvg-version "0.1.0"
profile     Core
viewport    0 0 512 512
title       "Koder Hub icon"

meta {
  role  "product-icon"
  brand "Koder Hub"
  slug  "khub"
}

// --- gradients ---
gradient #blue-sphere radial center=[0.35, 0.35] radius=0.7 {
  stop 0.00 "#BFDBFE"
  stop 0.35 "#3B82F6"
  stop 1.00 "#1E3A8A"
}
gradient #amber-square radial center=[0.35, 0.35] radius=0.7 {
  stop 0.00 "#FDE68A"
  stop 0.35 "#F59E0B"
  stop 1.00 "#B45309"
}
gradient #emerald-triangle radial center=[0.35, 0.35] radius=0.7 {
  stop 0.00 "#A7F3D0"
  stop 0.35 "#10B981"
  stop 1.00 "#047857"
}

// --- procedural satellites (kgen) ---
kgen #satellites {
  body """
    let r = 125
    let satellites = [
      { angle:  90, shape: "rect",     gradient: "amber-square",     role: "hub.satellite.square.top" },
      { angle:  30, shape: "ellipse",  gradient: "blue-sphere",      role: "hub.satellite.circle.upper-right" },
      { angle: -30, shape: "triangle", gradient: "emerald-triangle", role: "hub.satellite.triangle.lower-right" },
      { angle: -90, shape: "rect",     gradient: "amber-square",     role: "hub.satellite.square.bottom" },
      { angle:-150, shape: "ellipse",  gradient: "blue-sphere",      role: "hub.satellite.circle.lower-left" },
      { angle: 150, shape: "triangle", gradient: "emerald-triangle", role: "hub.satellite.triangle.upper-left" },
    ]
    each s in satellites
      let cx = 256 + r * cos(s.angle * PI / 180)
      let cy = 256 + r * sin(s.angle * PI / 180)  // Y-up: positive sin → up
      emit_connector(from: [256, 256], to: [cx, cy])
      emit_satellite(s.shape, cx, cy, gradient: s.gradient, role: s.role)
    end
  """
}

// --- core ---
scene {
  ellipse #core role="hub.center" 256 256 r=48 fill=#blue-sphere
}

Quando rasterizado em 512×512 produz a v2.29.96 atual do ícone do Hub — em ~40 linhas de source contra 47 do SVG equivalente, ~50% mais compacto que a versão TOML anterior, mais expressivo sobre a estrutura ("o que é cada elemento"), e queryable por role.


Fim do documento v0.1. Comentários inline ou via PR no monorepo.

References